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REFLEXÕES RECORRENTES - Olimpíadas 2012 - 14/08/2012



A cada fim de Olimpíada, Copa do Mundo ou jogos de quaisquer espécie ou esportes dos quais o Brasil participe, tornam-se inevitáveis as reflexões a cerca dos resultados, sejam eles positivos ou negativos. Reflexão é algo pessoal, que vem com nossos pensamentos; portanto, diferentes uns dos outros. É como DNA ou impressão digital: cada um tem a sua.

Terminadas as Olimpíadas de Londres, mais uma vez ficamos com o sabor amargo de fracasso na boca. Esperávamos muito mais em vários esportes, inclusive no futebol, tanto masculino como feminino. Mas sentimos o mesmo fracasso em relação ao judô, à natação e atletismo.

Não se criticam nem se desmerecem, aqui, os atletas, sejam eles profissionais ou amadores, pois devemos respeitá-los. A crítica que tecemos é ao pensamento brasileiro: dos atletas, dos formadores de atletas, dos gestores do esporte, da classe política que administra o país e de todos os cidadãos conscientes, mesmo porque, quem não tem consciência social, não sabe do que se trata assunto algum que se debata.

O Brasil não se cansa de fazer esse papel ridículo em competições por motivos óbvios: a falta de investimentos em esportes, em artes e cultura. Alguns possuem talento para os esportes, outros para artes, outros para política, outros para nada, inclusive. Mas esses seriam minoria se soubéssemos encontrar os talentos. É o que nos falta: ser caça-talentos.

O sucesso de países como o Brasil, na caça e formação de talentos, passa, necessariamente, pela Universidade. Não temos uma boa escola, é verdade; muita coisa falta na didática e, principalmente, falta o aluno se integrar ao ensino propriamente dito. Aquele que compreende não só o banco da sala de aula, mas atividades extras, como esportes, música e teatro.

A prática esportiva que deveria existir desde o primeiro grau para alunos em período integral, seria apurada nas universidades, onde poderia ser aprofundada a capacitação dos alunos, mediante bolsas integrais, que cobririam escola e manutenção do atleta. Além de termos melhores resultados nos esportes, formaríamos cidadãos melhores. Vejo isso como uma fórmula tão simples, tão fácil, que fica difícil colocar em prática. Brasileiro não se conforma com soluções fáceis. Precisa complicar. Vejam como funciona em países vencedores. É desta forma simples e barata. Sim, barata, pois aqui gastamos fortunas em bolsas só para pagar mensalidades, damos bolsa família, que não melhora ninguém, só coloca mais feijão na mesa (ou cachaça), nem mesmo obriga os destinatários a estudar ou terem uma formação profissional que os tire dessa situação em pouco tempo, até porque o objetivo é fidelizar o voto do usuário. Nesse sistema já gastamos muito, por que não melhorar o investimento criando sistemas integrais de aulas, com esportes, artes e cultura, além de estender esses benefícios a todas as universidades? Todos os centros universitários, universidades deveriam ser obrigadas a ter um programa de esportes, independente até de ter a cadeira de Educação Física, mas contratando técnicos e professores para formar ou melhorar alunos vindos do segundo grau com bolsas, como ocorre em países como EUA, um país vencedor. Temos que pensar como vencedores, não como pobres e humildes fracassados, exemplo dado por atletas que perderam chances preciosas, por falta de preparo psicológico, emocional e físico também. Chorar depois ou brigar pelas redes sociais com fãs irritados não os torna heróis, mas sim mais fracassados ainda, porque não reconhecem o óbvio: são perdedores.

Somos um povo perdedor e poucas vezes nos sentimos vencedores, por cima, como se diz por aí. Acostumamo-nos a ser pobres, feios e culpados. Culpados porque devemos para os negros, por eles terem vindo como escravos ao Brasil, o que é mentira. A culpa é dos antepassados, dos usos e costumes da época, que eu não vivi e, portanto, para a qual nada devo. Culpados porque as minorias são minorias e não maioria, até que se tornem um dia, claro. Culpados porque não sabemos votar, não sabemos de nada. Falta educação, falta compromisso com o sério.

Chega de chorar na derrota, e, para não fazer mais feio ainda em 2016, precisamos, com urgência formar uma geração vencedora. Fácil isso? Em quatro anos, impossível eu diria. Precisaríamos de uma ou duas gerações para alcançar resultados e assim mesmo, gradualmente. Todavia, temos que começar, uma hora ou outra e trabalhando como se fosse para ontem, já que hoje está perdido. E se acreditamos em Deus, acredita-se em milagres. Quem sabe?

A educação continua sendo o caminho do sucesso. A sabedoria (soma de conhecimentos aplicados) nos prova essa tese. É o único caminho de sucesso em todas as áreas ou segmentos da vida. Educação.

E outra pergunta: é importante sermos uma potência esportiva? Claro que sim, porque muitos jovens buscarão ser heróis nos esportes, não nas drogas, no tráfico ou no crime em geral. Podemos salvar as vidas deles e de suas vítimas futuras.  Se competíssemos com 50.000 candidatos a vagas olímpicas ao invés de catar na última hora pretendentes, como ocorre em alguns esportes, teríamos sucesso, orgulho de nossa formação.

Precisamos fazer justiça e glorificar aqueles que venceram. Especialmente os que venceram os problemas para chegar lá, como a garota do Piauí que ganhou a medalha de ouro no judô. Mas em 200 milhões de habitantes, é muito pouco, é ridiculamente pouco.

Outra coisa: não podemos depender da iniciativa privada. Só fala isso quem não conhece uma empresa, cuja função social mais importante já é a de manter e criar empregos. Entra, então, em cena, a parceria entre Estado e Ensino privado. As escolas de primeiro e segundo graus e as universidades deveriam ter a obrigação de formar os atletas (cidadãos) de que precisamos para um país melhor.

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