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O FUTURO DA MAÇONARIA BRASILEIRA


A Maçonaria brasileira continua seu rumo, ou melhor, sem rumo, há, pelo menos, um século, trazendo homens para suas hostes e não sabendo o que fazer com eles. Desde que nos tornamos adeptos da Maçonaria anglo-americana com a adesão à Grande Loja Unida da Inglaterra e, logo em seguida, com a cisão que originou as Grandes Lojas, uma adesão de “corpo e alma” à maçonaria norte-americana. De corpo e alma porque não só aderiu a seus costumes “religiosos”, porque vão muito além do esoterismo cristão praticado desde que criaram seu próprio rito no século XVIII, ainda prostituímos o rito Escocês Antigo Aceito, o mais praticado no pais, transformando-o em um misto de ritos, York, REAA, Adonhiramita, etc.
Quem estuda sabe disso. O pior que poderia ocorrer, ocorreu. O Grande Oriente do Brasil, ferido pela cisão, ao invés de manter o !purismo” dos ritos praticados então, acabou por copiar as Grandes Lojas e desandou com todos os ritos praticados em suas Lojas. Pior ainda, os maçons brasileiros, na ânsia de se dizerem mais regulares do que os outros, aceitavam qualquer mexida nos rituais.
A cada administração, praticamente eram alterados os rituais de um ou outro rito, ou de todos, como vemos acontecer até hoje, passados poucos anos, meio século para ser exato, outra grande cisão quebra as pernas do GOB, até então, a maior potência da América Latina.
Pois então, deixamos de participar das atividades sociais e políticas porque não eram permitidas pela maçonaria anglo-americana, adeptas da maçonaria institucional, formal, de pompas e e circunstancias, que se resume a uma sociedade filantrópica, não se preocupando nem um pouco com filosofia, interpretação de símbolos, problemas externos á Instituição, ao contrário da maçonaria que nos inspirou e orientou no século XIX, a francesa, quem apesar dos problemas civilizatórios franceses na atualidade, tem uma história de participação sociopolítica fundamental naquela república e em todas as colônias ou nações onde pode influenciar direta ou indiretamente, como no nosso caso, que aqui chegou via Portugal, que fora povoada por maçons franceses ou que lá se formaram, mais precisamente no Grande Oriente de França, potência que sempre foi e é, política, socialmente ativa e participativa,
Jogamos fora nosso passado que construiu o nome da Maçonaria que até hoje batemos no peito: “nós fizemos a independência do Brasil”, “Nós fizemos a Libertação dos Escravos”, “Nós fizemos a proclamação da República”, que, sabemos bem, são meias verdades, exceto a independência.
Assumimos outra personalidade que não é a nossa, latina, conquistadora e libertadora, até porque não conquistamos totalmente nossa Liberdade, pelo menos do povo, não conquistamos o progresso, não conquistamos nosso espaço como grande nação. Temos muito a lutar e conquistar e abrimos mão disso para nos recolher aos templos e orar, depois brigar e dividir. Escolhemos mal os novos maçons, nada tmeos a ensinar, até porque pouco sabemos, exceto a andar de um lado para outro fantasiados de paramentos coloridos, porque nem mesmo o simbolismo do avental maçônico é totalmente conhecido dos maçons brasileiros.
Que troca foi essa? Não foi seis por meia dúzia, como se diz no dito popular, mas seis por dois. Comodismo e vaidade. Só isso que se produziu nesses últimos cerca de cem anos na maçonaria brasileira. Lamento para os que se sentem indignados, mas, desafio a me provarem o contrário.
Envelhecemos como a maçonaria de Tio Sam, dos ingleses, que fecham Lojas mais do que  inauguram, devido a idade e ainda temos preconceito contra os jovens e contra ritos que não sejam teístas,s que orem sobre a Bíblia, ao invés de discutirem o futuro da Ordem maçônica e do próprio país onde vivemos e viverão nossos descendentes. Acham mais importante “salvar” a alma, expurgada pelo catolicismo, do que tratar do presente e do futuro.
Mas pretendemos olhar adiante, indo na contramão desse movimento, ou da falta de movimento, da maçonaria brasileira que só produz cisões, e escrevo isso ainda chocado com mais uma cisão que assisto dentro da Instituição, mais especificamente no GOB (de novo). Muitas Lojas novamente saem do GOB como única solução de um impasse, como já ocorrera no passado.
Assim, vemos como solução interna, ou seja, no GOB e suas dissidências a imediata reflexão de todos os mestres maçons, que devem tomar um tempo para isso, exclusivamente, emitirem suas opiniões a respeito do que seja o melhor caminho a ser tomado hoje, para que o amanhã seja melhor.
As questões que entendo, devam ser pensadas e ponderadas, debatidas e se chegar a um lugar comum, sem novas brigas, claro, são:

- Até que ponto o reconhecimento de potências estrangeiras é importante para você maçom brasileiro?  Ele é mais importante que o reconhecimento do seu irmão de outra obediência maçônica regular (que observa as principais exigências para se dizer que faz maçonaria regular)?
- Quem nos poderá socorrer em caso de necessidade? O maçom inglês, americano, francês, argentino ou o maçom da outra Obediência da sua cidade ou que seja até seu vizinho de apartamento, mas é irregular perante Obediências estrangeiras?
- O que sabe o maçom brasileiro, realmente, da história da Maçonaria no mundo e no Brasil? Teste-se esse conhecimento.
Como se formaram os ritos maçônicos? O que são Antigos? O que são is Modernos?
- Por que não evoluímos nos conceitos e não combatemos o fanatismo, o preconceito, e por que não somos mais o farol da sociedade? Por que agora a seguimos à distancia ao invés de darmos o caminho como fizemos no século XIX?
- E porque nos acomodamos com isso e não queremos mais ser esse condutor social e queremos apenas nos refestelar em jantares e distribuição de cargos internos e joias, medalhas, títulos?
- Que Maçonaria queremos fazer hoje e deixarmos para o futuro? Social, política, religiosa, esotérica, concorrendo com outras sociedades especialmente existentes para essas finalidades? Ou voltarmos a ser uma sociedade formadora de líderes, construtores sociais, como já fomos?
- Que tipo de homens se quer trazer para dentro da Ordem? Jovens, com potencial para os formarmos líderes amanhã, ou homens velhos, maduros, já forjados, que não poderemos mais formar, mudar, ou mesmo contar com seu entusiasmo, pois sua vida está alinhada e com personalidade e caráter definidos?
- O que ganhamos com divisões, cisões de Lojas, Obediências, Supremos Conselhos e outros corpos maçônicos?
  
Claro que cabem outras tantas perguntas a serem respondidas para chegar-se a uma conclusão, a Maçonaria passada e atual são inócuas, não atingem o seu objetivo de formação moral do homem moderno através do ensino do simbolismo e temos que reconstruí-la, com novos métodos de seleção, ensino pedagógico sobre simbolismo, manutenção da tradição pelos rituais, e tão somente dos ritos, a única coisa a ser preservada. A única coisa que nos liga ao passado, deve ser a ritualística, ou seja o respeito aos rituais mais tradicionais possíveis, mas o pensamento tem que ser atual, moderno, aliás, deve ser a vanguarda social e política para que se forme, continuamente uma moral sã e que frutifique com boas estruturas para o futuro.  
Temos feito o inverso, temos conservado, no pior sentido da palavra conservador, os usos e costumes dos povos, que nada têm de ligação histórica ou ancestralidade conosco (ingleses, americanos, irlandeses, escoceses) e abandonamos a herança latina, italiana, francesa, portuguesa, que éa responsável pela nossa formação e herança cultural inclusive, com todos seus problemas, defeitos, etc. mas essa é a nossa traição social e cultural, não a anglo-saxã. Antes fosse, talvez, mas não é.
Renegamos, na Maçonaria, a nossa história e cultura e abraçamos o que não temos nem capacidade de ser e fazer. Fazer uma Maçonaria esotérica, e para isso tem que ter bons conhecimentos ou estudos nessa área, ser praticante de uma religião cristã, que não é o caso do brasileiro, e ter dinheiro para praticar o que eles melhor fazem, filantropia. E isso fazem muito bem.
A maçonaria brasileira, ao contrário, não faz nada de filantropia, não tem feito nenhuma participação social, política ou qualquer cosia, muito menos formado homens moralmente exemplares, e não precisamos listar os casos de maus exemplos que temos tido o dissabor de saber serem maçons. A única coisa que sabemos fazer melhor que as outras, talvez, seja a cisão.
Respondidas essas perguntas, sejam quais forem as respostas, só tem essa saída. Sentarem-se em torno de uma mesa, traçar um tratado de amizade, planejar uma reunificação, a começar por GOSP/GOB e depois GOB e outras dissidências, dar um prazo de uma mandato que está em curso, acertar o calendário, reunirem-se e marcar eleições com outra Constituição que conste, no mínimo de:

1- Maior poder administrativo para as Lojas e Grandes Orientes Estaduais e consequente menor transferência de verbas.

2 – O GOB só exercerá o poder de representação no exterior com seu GM Geral, aos moldes da GLUI, com um Grande secretário das Relações Exteriores.

3 – Caberá ao poder Central também a gestão da Grande Secretaria Geral de Ritualística, tendo Secretários gerais que cuidarão de Ritualística com seus respectivos secretários, indicados em listas acompanhada de currículo dos candidatos a exercerem tais cargos, enviadas pelos GM estaduais, apuradas nas Lojas da jurisdição.

4- Caberá ao GOB poder central, coordenar um cadastro geral das Lojas, emitir a Carta Constitutiva, etc., mediante ato do GM Geral, após a emissão da carta do GO Estadual. Caberá ao GOB determinar o numero da Loja e eventuais condições especiais.

5 – O GOB fornecerá de imediato ao GO Estadual nr do CIM e outros dados necessários antes da Iniciação do candidato, a fim de que no dia da Iniciação, o candidato tenha em mãos seu numero de cadastro e todas as informações possíveis para acessar a comunicação oficial.

6- O GOB manterá um site de qualidade com as informações necessárias ao maçom e a profanos, com áreas distintas, sendo a parte destinada aos membros do GOB, isolada com senha mutável a cada ano ou semestre, como a palavra semestral fazendo parte da senha, junto com seu nr cadastral. O site ainda terá o nome e contato, rito, endereço completo de todas as Lojas ativas e inativas do GOB no país todo, a fim de facilitar irmãos em viagem visita suas Lojas e, se possível, de potencias amigas. Também poderá disponibilizar endereços de potencias e Lojas no exterior com contatos.

7- As eleições para GM Geral e estaduais serão marcadas a cada 3 anos (período de mandato coincidente de todos os GM), não podendo haver reeleição sequente.

8 – Alterar a forma de atuação do poder legislativo, acabando com reuniões da PAFL e PAEL dos estados, onde as lojas têm dificuldades de manter representantes. O poder legislativo poderá funcionar on line para as propostas e pareceres de comissões e até mesmo votações, ou com um encontro semestral para a votação de todos os projetos do semestre. As medidas de urgência seriam votadas por internet, com senhas de segurança, assinaturas eletrônicas, etc.  Não há mais necessidade do deslocamento caro e improdutivo para essas reuniões com muita gente e pouco tempo de trabalho. Deputados devem ter mandatos de 3 anos, a fim de coincidirem com GMs, sem reeleição também.

9 – os tribunais devem trabalhar exclusivamente via eletrônica, da petição até a sentença final transitada em julgado. Juízes devem ter mandato de 2 anos, com uma recondução, sendo presidente, sempre o mais antigo na Corte, e serem indicados pelo poder legislativo ao GM em lista quíntupla. Mas quem indicará os nomes serão as Lojas para as Assembleias legislativas estaduais e a federal, as Assembleias escolherão 5 deles e indicarão ao GM que selecionará um, enviando para nova aprovação da Assembleia. Existirão no poder judiciário, por se tratar de Maçonaria, ambiente de homens limpos e puros, os seguintes tribunais: A Loja (primeira instancia), O Tribunal de Justiça Maçônica do GOB estadual (segunda Instancia) e o Superior Tribunal Federal maçônico (terceira e última instância), composto de 21 ministros, com 4 turmas de 5 membros e 1 presidente, que atuem independentes, com sorteio para os processos de recursos. As questões constitucionais serão tratadas em plenário completo, e assuntos como expulsão da Ordem, impedimento de Veneráveis e GM estaduais e o geral. Reuniões ordinárias mensais, bimestrais e trimestrais  conforme a corte. Os tribunais estaduais trabalham com numero proporcional ao numero de obreiros do GO estadual, de 7 a 18 membros, todos com mandatos de 4 anos, com uma recondução.

10- A grande Secretaria de Ritualística terá um adjunto por rito, e cuidará da fiscalização do cumprimento do ritual em uso e da promoção de encontros e cursos de atualização e treinamento de irmãos sobre o rito praticado.
Será formada uma comissão de Mestres Instalados ou mais experientes com profundo conhecimento do rito em questão, indicados pelas Lojas, de acordo com o numero de obreiros e proporcional a eles, de 10 a 30 no máximo, para fazer um estudo complexo sobre os rituais em uso e a proposta de elaboração de um novo ritual para ser posto em prática em todo o território, respeitando a originalidade dos ritos, sem invencionices, que, após aprovado, deverá ficar imutável por 30 anos, conforme decreto ou lei aprovada pelo legislativo e executivo. As comissões terão o prazo de 3 anos para apresentar o trabalho e serão organizadas pelas secretarias, mas trabalharão sem interferência delas.O trabalho poderá ser feito totalmente on  line com sugestões e fundamentações para cada uma das propostas apresentadas. Os novos rituais entrarão em uso 1 ano após a sua aprovação, com edição dos três graus simbólicos.

11 - Serão estudados e aprovados pela comissão também, os paramentos oficias de cada rito, bem como deve deixar de constar em lei federal o tipo de indumentária que o maçom deve usar, cabendo à Loja determiná-la e não às Potencias ou obediências. Caberá somente determinar somente nos casos de Sessões públicas e sessões magnas da própria obediência. As Lojas determinam para as sessões econômicas.
Deixam de existir paramentos multicoloridos sem sentido, passando a usar, as autoridades seu avental do simbolismo e uma joia do cargo ocupante que vai em um colar com cores especiais da obediência estadual, voltando o maçom a sua simplicidade. Somente terão paramentos especiais os Grãos-mestres geral e estaduais e seus secretários, deputados, juízes e ministros. Outros cargos de auxiliares, assessores, membros de conselhos, etc., só terão como distintivo uma joia com o nome do cargo que ocupa.

12 – Trabalho com secretarias especiais em todos os estados para  Lojas Universitárias ou acadêmicas, oferecendo um trabalho estruturado para receber jovens estudantes, professores e servidores de estabelecimentos universitários ou do meio estudantil, apoiado por maçons experientes, professores, etc. Uma comissão elaborará os requisitos das Lojas, dos candidatos e meios de apoio a esses jovens que representam o futuro da sociedade e da própria Maçonaria.

Ai estão algumas necessidades para uma futura constituição e programa institucional que visa tempos modernos e o futuro.
Não adianta só criticarmos, precisamos apontar sugestões e até mesmo soluções prontas para uma maçonaria harmoniosa e frutífera, porque a atual não passa de amontoado de besteiras, brigas e perda de tempo. Assim, nada se produz, nada  se constrói, não se cumpre seu objetivo de formar homens e construir uma nova sociedade. Sendo pró-ativos, a hora é de derrubar as paredes tortas que foram levantadas e recomeçar da base. Temos que iniciar melhor, não muitos, mas bons elementos. Atrair com a realidade e não com fantasias que depois não se cumprem. Tirar de cena os velhos maçons de cabeça velha (a velha política que impera na maçonaria também), encontrar jovens dispostos a administrar seriamente o GOB e os estaduais, procurar a reunificação dos separados, dando força à Loja e aos estaduais.

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