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CARTA AO GOB AO GOSP E AOS MAÇONS BRASILEIROS

Prezados Irmãos

Todos vocês, dirigentes do GOB, do GOSP e outras obediências maçônicas, dissidentes de hoje, de 1973, de 1927 ou qualquer data, nos devem explicações.
Conseguiram mais uma cisão, legaram mais uma potência maçônica “irregular” entre nós ou perante estrangeiros, mais irmãos apartados. E o pior, sempre com o hipócrita discurso de união, de fraternidade, de liberdade, de igualdade.  Não, não se trata só de hipocrisia, mas de mentira. 
A Maçonaria se povoou de profanos e, por incrível que pareça, são eles que chegam ao “poder”. Não entendemos até hoje que poder é esse, Talvez seria o poder de destruir? De desunir? Dividir para ter mais “reis” enfeitados com luxuosos paramentos brincando de ser o Salomão do Século XXI?
Acima de tudo, mais uma importante parcela da maçonaria brasileira, a mais tradicional, o GOB, deixa uma grande pedaço pelo caminho e assim, desintegra mais um pouco a maçonaria institucional brasileira e universal. Sim, somente a institucional, porque a maçonaria pessoal, aquela que toca nossas mentes, sentidos e o caráter, que nos ensina o valor dos símbolos tomados dos antigos pedreiros, verdadeiros artistas do ofício, trata do individuo, existe para cada um que a quer conhecê-la e praticá-la.  Aqueles que realmente foram iniciados, não participam desse festim de vaidades e paixões que esses falsos maçons promovem dia a dia. E vista  carapuça quem quiser.
Chegou a hora de pararem com isso.  Desejamos retomar a Maçonaria de conquistas sociais, de formação de líderes, de homens cultos e destemidos, mas humildes, sem vaidades, sem essa soberba que tem tomado conta dos maçons que buscam ser famosos, verdadeiras celebridades dentro da Ordem, já que são fracassados na vida particular, profissional e social. Podemos observar, são fracassados em relação ao que pretendiam, e fazem da Maçonaria seu canal de realizações. A utilizam como religião, como partido político, como mesa de negócios, tudo, exceto para estudos, evolução moral, intelectual e social.
Não se pratica filantropia sequer, que é o mínimo, o menor dos trabalhos sociais que deveríamos fazer, quanto mais educar, guiar politicamente evitando, sem ser partidária, equívocos da população e o desconhecimento, através de publicações, palestras, e meios de comunicação de massa.fora o trabalho que o maçom deve fazer individualmente.
Esta na hora de tomarmos as rédeas, se formos a maioria, democraticamente, e reestruturar a Maçonaria brasileira. A começar pela descentralização do GOB, dando autonomia maior às Lojas, e aos Grandes Orientes Estaduais, acabando com ao Corte de Brasília, com a centralização burra que sempre foi o mal do GOB, com o imperialismo reinante até agora. Essa Constituição está morta, defasada e fora de propósito.
Esta na hora de formarmos Grandes Orientes Estaduais fortes, e ter somente um GM Geral para representar o Brasil além das fronteiras, um secretário de Ritualística para manter fidelidade dos ritos por igual em todo o país, não sem antes promover um grande estudo pelos irmãos mais experientes de cada rito, para lançar um novo e definitivo ritual, a ser mantido, por no mínimo 30 anos, corrigindo as bobagens enfiadas ali nesses últimos cem anos.
A assembleia federal deve ser somente Constituinte e reformadora e se reunir a cada 2 anos para estudar essas reformas, se necessário, alem de fiscalizar os atos do GM Geral com um representante para cada 200 maçons da região. Hoje, no máximo 300 representantes, com exigências mínimas para ocupar o cargo. As leis federais não podem ir alem do estritamente necessário, sendo uma Constituição de 30 a 40 artigos talvez, o restante, cada obediência estadual decide, conforme seus usos e costumes, seu povo, sua região.
As Lojas devem decidir seus ritos, suas vestes, seus métodos, só respeitando o ritual e a CF e Estadual, que não devem se imiscuir na administração da Loja, dando a devida liberdade ao maçom livre. Maçonaria se faz em Loja Livre, por Maçons livres. O que temos em comum é a Fraternidade (amor fraternal) e a obrigação de construir, primeiramente a si mesmo, depois a sociedade que nos cerca, com exemplos e ações. Fora disso, não é Maçonaria. Pode ser igrejinha, boteco do pós-sessão, restaurante de bons gourmets, centro de fofocas, o que quiserem, menos Maçonaria e o objetivo pelo qual suas Lojas deixaram para trás a prática do Ofício de pedreiro e a transformaram em simbólica, dando valores morais a suas ferramentas e lendas.
Queremos de volta os líderes que entendiam e promoviam essa Maçonaria, e não sei quando deixaram de ser, talvez na virada do século XIX para o XX, quando abraçamos a tal maçonaria “regular” que se faz entre 4 paredes apenas e abandonamos as causas da humanidade. A pensar!
A Maçonaria não precisa ser numerosa, precisa ter qualidade. Precisa ter homens lúcidos, intelectualmente desenvolvidos, cultos, líderes sociais, a quem as pessoas admiram, olhem como exemplo. E temos que ser o farol da sociedade e não a iluminação traseira dela, como velhos conservadores segurando ou impedindo o progresso, entendendo que seremos sempre certos e nada pode mudar. Isso é ser retrógrado.
Propomos, objetivamente que, em um ano, a partir dessa parada de fim de ano, antes das próximas férias de 2019, os GMs do GOB, do GOSP e do GOB-SP, GOB Pernambuco, GOB Ceará, renunciem, unam as obediências novamente, e façamos novas eleições, regulares e honestas, sem meios termos, porque ninguém ganhou nada.
Nenhum dos eleitos tem legitimidade, e não falo da legal, em cima de leis feitas por conveniência, mas falo da moral. Moralmente nenhum dos eleitos e empossados tem legitimidade, sendo, todos os atores desse circo, apenas o estopim de tudo isso. Há que haver a leal disputa, a apresentação de um projeto de trabalho antes de mais anda, para ver se o povo maçônico aprova e não simplesmente endosse por falta de opção. Há que haver mais de uma chapa obrigatoriamente, sob pena de adiar as eleições em não se registrando uma segunda.
Se há alguma grandeza, mesmo que mínima, em suas mentes, não há razão para manter esse estado de  falência que provocaram. Aceitem que são todos responsáveis. E nós outros, honestos, leais, sérios, fomos tão culpados quanto vocês, atores desse circo. Fomos omissos!
Deixamos tudo isso acontecer sob nossos olhos e da calçada, vimos o bonde passar rumo ao muro. Não deu outra, esfacelou-se. Repito, somos todos culpados do caos, mas só vocês dirigentes podem ficar famosos por resolverem de forma justa e correta esse problema.
Queremos sair da periferia da Maçonaria e ir para o centro das decisões. Queremos decidir o que é certo ou errado,debater o papel da Maçonaria nesse presente e no futuro. Queremos ser parte da solução, mesmo sem aventais coloridos e pesados, cheios de ouro, mesmo sem medalhas, sem títulos, só com nossos aventais de Mestre, que é o que todos deveriam ser. Todos deveriam ser apenas mestres Maçons, nada mais que isso. Há que se eliminar esses títulos e classes de maçons, uma divisão de castas incoerente com o que se prega.
Entendemos que a reestruturação deve começar já, convocando uma Constituinte no GOB e que não sejam utilizados os atuais Deputados Federais como tal, e sim, todos os maçons das lojas, via internet, com um acompanhamento dos projetos por uma comissão e sua votação pelo mesmo canal, com propostas do tipo:

1- Mandato do GM Geral de 3 anos sem renovação, com o mesmo tempo para o Estadual. Temos muitos irmãos competentes para substituir os que saem do cargo.
2- Mandatos de deputados federais e estaduais de 2 anos com uma recondução.
3- Escolha de ministros dos tribunais pelas Lojas, em votação de lista tríplice, uma indicação do executivo, uma do legislativo e uma do MP correspondente, cumprindo exigências legais. Mandato de 2 anos com uma recondução (competindo com a lista tríplice como quarto candidato).
4 – Apenas as secretarias gerais (GOB) de manutenção dos Ritos, Relações Exteriores, Finanças, Cadastro Geral dos Maçons e Informática (gerir decentemente um site interativo e informativo) apontando todas as Lojas, endereços, dias de reunião e contato para os maçons se localizarem e visitarem quando em viagem. Por ocasião da Iniciação devem estar prontos o cadastro, CIM e tudo que for necessário ao neófito. Na Exaltação o diploma e medalha devem ser entregues no ato. Há tempo e pessoal para isso, só não há competência administrativa, há anos.
5 - A necessidade de haver, no que for importante, comunicação direta entre GOB e Lojas, e não ser mais um castelo intransponível, fechado aos maçons. Tem que haver transparência das contas e atos do GM e sua equipe. Acabar com cargos de assessor, chefe de gabinete, e outras tantas bobagens, indicando apenas um Delegado por Estado para representá-lo em necessidades, sendo um maçom experiente. Todas as autoridades necessárias devem usar seus aventais de Mestre, o que usam em Loja, com joias que os identifique em suas funções, nada mais que isso, acabando com o festival de paramentos coloridos e caros, sem nenhum significado simbólico que só envaidece e cria mitos inúteis.

Outras propostas poderão ser adicionadas...
O que importa é, em pouco tempo, devolverem a nós, maçons sem essa vaidade, que quero crer, seja em grande número, a unidade da maçonaria brasileira, a união dos maçons de Lojas irmãs, que nos foram roubados por vaidade e a presunção de serem semideuses, insubstituíveis e tão necessários. Não, esses maçons não são nem um pouco necessários, só atrapalham. Estragam a maçonaria e queremos que, em continuar a pensar dessa forma, saiam, que se afastem, que voltem a suas Lojas e reaprendam a dar os primeiros passos de Aprendiz e, quem sabe, em alguns anos estarão aptos a tentar de novo.
Vocês falharam e devem reconhecer isso, voltar sobre seus passos e reconstruir a caminhada. Com o GOB regenerado, devemos começar a pensar em realmente ser, de fato, uma só potencia um dia, mesmo que com nomes diferentes, mas com os mesmos propósitos, que passem longe da omissão em relação ao país, que a sociedade seja o motivo de evolução interna para sermos seus bons exemplos, com palavras e atos.
Devolvam nossa Maçonaria, aquela que nos encantou como profanos e que vocês conseguiram transformar em decepção.

Abaixo assinado,

Marco Antonio Piva, CIM 147.529, MI   e quem mais quiser,

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