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FIM DE ANO...

Mais um ano civil e maçônico que termina. Mais uma cisão, mais uma potência maçônica “irregular” perante o GOB ou a estrangeiros. Acima de tudo, mais uma importante parcela da maçonaria brasileira mais tradicional, o GOB, se desliga e assim, desintegra mais um pouco a Maçonaria nacional e universal, que é a Institucional. Sim, somente a institucional, porque a Maçonaria pessoal, aquela que toca nossas mentes, sentidos e o caráter, que nos ensina o valor dos símbolos tomados dos antigos pedreiros, verdadeiros artistas do ofício, é individual, existe para cada um que a quer conhecê-la e praticá-la.
Por isso, e ainda bem, a Maçonaria Institucional, por pior que seja, e é pior a cada dia, não pode interferir naquilo que ela é melhor, fazer evoluir o homem que a estudar e praticar. O progresso humano é individual, não se evolui em turma ou equipe, a evolução intelectual, moral, o domínio dos sentidos e das paixões, são escaladas pessoais. O resultado de cada um, somado, promove a construção social, a evolução do ser humano.
Todo movimento de caráter coletivo que busca mudanças de comportamento ou sua perpetuação, com pinceladas de conservadorismo exacerbado dos costumes ou, por outro lado, “excessos” de um “progressismo” politicamente correto, que busca quebrar valores sociais estabelecidos de uma forma abrupta e oposta ao conservadorismo, acaba por se tornar um dogmatismo social, político ou religioso, tentando escravizar a massa, sempre com interesses duvidosos por trás. 
Sabemos que a verdadeira liberdade reside na possibilidade de adquirir conhecimentos e formar seu próprio pensamento, construir uma ideia, uma opinião, que deve ser individual e não a de grupos.
Pois então, tudo isso para compreender que existe um dogma entre os maçons, do GOB, que está no DNA de quem ali inicia, no sentido de, não podendo manter sua opinião, seu ponto de vista, formamos outra Loja, outra potencia, ou expulsamos o irmão, ou expulsamos a Loja, acabando com a disputa, que nem deveria haver, por sinal.
Isso ocorre desde o início de sua história, e fica fácil encontrar registros a respeito, desde o Grande Oriente Brasílico e o Grande Oriente Brasileiro (do Passeio), dos Beneditinos e por ai começou a festa. Mas o GOB ainda, de alguma forma participou de vários movimentos políticos e sociais pelos seus membros, personalidades de destaque social e inteligência, ideais, desde a proclamação da independência até a proclamação da república.
A partir daí ficamos só com as cisões, 1927, quando se criou as Grandes Lojas estaduais, e, quando a poeira mal abaixara, em 1973, apenas 50 anos depois, outra grande cisão criando os Grandes Orientes Independentes, que depois viriam a formar a COMAB, até agora (ontem, conforme decreto) proscrita pelo GOB. Nesse meio tempo, houve várias outras cisões temporárias ou de menor porte, mas nunca ficamos muito tempo sem uma.
Agora, em 2018, em pleno século XXI, que vem mostrando mais retrocesso do que progresso humano, e isso em todas as áreas da sociedade e em todo o mundo, não ficamos para trás, e aqui no Brasil, já conseguimos mais uma grande cisão, no GOB, claro, que mal se refaz de uma, consegue outra e das grandes com pelo menos 3 grandes Orientes e cerca de 500 Lojas.
Seja lá quem for o culpado ou não, não há como absolver alguém. As pessoas tomaram conta do GOB como se fosse deles. Promovem suas orgias eleitorais e de poder como se fosse o quintal de casa. Acabam com a Instituição que fica, a cada dia, mais desacreditada pela sociedade, e o pior, por seus membros, claro, aqueles que conseguem raciocinar e enxergar dois palmos adiante dos demais.
Ao invés de tomar partido, deveríamos estas “nas ruas” pedindo para desocuparem o luxuoso palácio de Brasília, de São Paulo e outros estados, para reciclar,  reelegermos sob novas condições, outros dirigentes, sem cisões, sem desmanches, ao contrário, propondo a união agora, para futura reunificação.
E já que não ensinamos mais a população, não somos mais os exemplos para a sociedade, deveríamos, ao menos, sermos mais humildes e aprendermos com a sociedade que destronou uma presidente via congresso e elegeu um presidente contra todas as possibilidades imagináveis há 6 meses passados. Não pelos seus belos olhos ou por alguma grande virtude política, mas para ser um agente da mudança necessária, por ser de fora do grupo de controle de poder há 30 anos no país.
Na Maçonaria brasileira não é uma vírgula diferente. Há que se fazer uma mudança de pessoas, de pensamento, que é dogmático, coletivo, de um grupo de conservadores (que conservam o poder a qualquer custo, alterando nomes, não os métodos), que levam, dia a dia, a uma nova cisão, só não se sabe exatamente quando ocorrerá. O pior é que não me parece ser por dinheiro como na política, mas só por vaidade.
Estou em fim de carreira, e só vejo muito atraso, ignorância, fanatismo, superstição, tudo aquilo que deveríamos combater por princípios, permear nossas Colunas. A cada dia entram, e saem também, centenas de homens de quem se espera Luz, porém chegam com suas velas apagadas e sem pavio, completamente cegos, trombando com as colunas vestibulares, tropeçarem na Bíblia, onde acabam depositando toda sua esperança, fé, seu fervor religioso, transformando a Loja em sua igreja particular e nada mais além de um bom jantar ou bebida.
 Ao sair dali está pronto para derrubar alguém do posto que não conseguiu tomar pelo voto ou pela confiança dos demais irmãos.  Poucos são os homens que trazem sua Luz própria e em busca de mais conhecimentos a fim de chegar á Sabedoria.
Poucos entendem que a Maçonaria nos faz sermos úteis à sociedade e não a nos servimos dela, e isso inclui ocupar cargos com objetivos de vaidade apenas. Ostentar vaidade é um dos “pecados capitais” cometidos por maçons que buscam a luz artificial da fama, do prestígio. Não buscam sabedoria, e sim o hall da fama.
Sabendo disso, não nos resta outra atitude que não seja quebrar o status quo com atitudes, com movimentos parecidos com as manifestações sociais políticas, pedir a saída dos dirigentes de todas as obediências que vivem em litígio e promovermos uma Constituinte que venha a atender os interesses dos maçons brasileiros, não de americanos ou ingleses. Se formos unidos aqui, nenhum estrangeiro virá nos incomodar e reconhecerão a nossa Maçonaria porque seremos fraternos acima de tudo.
Nada contra eles, mas a perseguição por esses malditos reconhecimentos nos levam ao fundo do poço, nos separamos, brigamos entre irmãos que poderiam se socorrer mutuamente, dando maior valor a irmãos que nunca nos verão ou nos levantarão uma mão para auxílio em caso de necessidade.
É hora de aprendermos. De aprendermos a ser revolucionários como foram os que nos deram uma história de orgulho, só que agora, em primeiro plano, nosso objeto de luta será a própria Maçonaria institucional, que vai de mal a pior. Reconquistá-la.
Que esse ano de 2018, como 1973 e 1927, sejam apagado por um 2019 de conscientização, de autocrítica, apuração e depuração, limpando o que não pode mais continuar entre nós e construindo uma nova potencia nacional, com outra legislação, que fortaleça os Estados e principalmente as Lojas, onde se faz Maçonaria, porque ela nunca será feita em um palácio e sim nos canteiros de obra, onde residem os obreiros.
Que seja a sede do GOB apenas a representação internacional e concentre o controle dos rituais, mesmo assim com participação dos mestres experientes de cada rito; que controle um cadastro de todos os maçons do país sob sigilo, mas ofereça a localização de Lojas, dias de reunião e contatos de cada Loja a fim de que possamos nos comunicar e visitá-las. No mais, caberá a cada Grande Oriente estadual cuidar de registros, processos de iniciação e alteração de graus, comendas, etc., com boletins disponíveis no site do GOB central para que todos saibam o que ocorre na Instituição.
É muito fácil, por isso difícil de por em prática. Concentrar informação é concentrar poder, o que não serve apr a uma Maçonaria verdadeira.
Temos muitas propostas para facilitar a administração e, ao mesmo tempo, manter a união do GOB, o problema é sermos ouvidos, assim como muitos outros irmãos espalhados pelo país, que poderiam oferecer boas ideias. Mas quem nos ouvirá?
Que o ano de 2019 traga mais esperança e menos cisões..

Em 4 de dezembro de 2018.
Marco Piva
MI










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