O BRASIL E SEUS
POLÍTICOS
Continuo
insistindo no fato de que todos nós somos responsáveis pela política que temos
no país. Não adianta sermos omissos na hora de estar presente nos partidos
políticos, permitir que somente os “bons” sejam candidatos e depois reclamar
daqueles que se elegeram em função da nossa negligência política e social. Não há mistério nisso. A política existe para
todos os seres humanos, sem exceção, pois somos seres políticos. A sua
negação é omissão irresponsável, exceto por parte dos incapazes. Feita essa
observação inicial, analisemos o comportamento eleitoral dos que já tiveram a
oportunidade de se tornarem homens (e mulheres) públicos e não a utilizam com o
mínimo de hombridade, com lucidez e razão, condições necessárias a quem se
propõe ser administrador da coisa pública. Em todo o país existem candidatos
que, ao abrirem a boca para angariar votos, assassinam o Direito, o bom senso e
muitas vezes a chance de vida de cidadãos. Vejamos o exemplo nítido que se
repete no Brasil todo: o candidato (sem nenhuma chance, note-se) sindicalista à
prefeitura de São Paulo acaba de lançar mais uma daquelas pérolas que se
repetem nas bocas de candidatos a vereador e prefeito por todo o território,
criticando a “indústria das multas”.
Oras,
quando surgirá o candidato ou administrador que vai ser homem (ou mulher) o
suficiente para dizer o que o brasileiro precisa ouvir? Não há indústria de multas. Há, sim, a
indústria da contravenção, do desrespeito à lei. Constata-se a larga produção
dos adeptos da “lei de Gerson” e outras “indústrias” oriundas da pouca educação
familiar e escolar que temos, e que nos faz acreditar que passar por um sinal
vermelho, exceder a velocidade e muitas outras infrações, que são normas
legais, aprovadas pelo legislador ou aplicadas pelo administrador, a partir de
orientações estabelecidas por técnicos competentes para essa função, e que nós
pagamos com nossos impostos, são para
ser obedecidas apenas na presença da autoridade ou burladas livremente quando
ele é o “dono” da rua. Se uma norma de trânsito (ou qualquer outra área) foi
criada, ela tem uma razão de ser. O cidadão deve respeitá-la sempre, com fiscal
ou sem, com radar ou sem. Essa é a regra moral. O candidato ou o mandatário de
uma função pública tem o dever moral, a obrigação de zelar pelo cumprimento da
norma. E mais: deve dar exemplo e incentivar que se obedeça à lei. Pouco
importa se em uma via existam dois ou cem radares. Sendo um cidadão, na acepção
da palavra, não serei pego por nenhum deles porque andarei até o limite da
velocidade imposta pela norma. Pouco me importa se há uma blitz policial que vá
me pedir o exame do bafômetro, pois eu, como cidadão exemplar, não estarei
alcoolizado ao volante de um veículo. Ao se negar a fazer o exame, ele confessa
o delito e faz prova moral contra si. E depois falamos mal do policial que
cumpre seu dever, falamos mal do legislador que criou a lei ou instalou a
“arapuca eletrônica”. E falamos mal também
quando choramos sobre o cadáver de um filho, parente ou amigo que foi
atropelado por algum bêbado ou irresponsável que ultrapassou o farol vermelho? Provavelmente
sim. Mas desta vez porque ele não estava lá. Nós criticaremos o legislador e o
administrador público porque não arrumou verba para a polícia estar em cada
esquina do país para tomar conta de seu ente querido. Sejamos coerentes
senhores candidatos e políticos ocupantes de cargos. Não usem a vida das
pessoas como objeto de demagogia no discurso eleitoreiro, ainda que a
população, mal formada e mal informada, goste de ouvir essas bobagens. Eles não
sabem o que ouvem e o que dizem, pois são desprovidos do principal serviço e
produto que o Estado pode e deve nos oferecer: a Educação. Com ela, certamente
não ocorreriam multas e nem precisaríamos de radares.
Eles
só pensam em si mesmos, em suas vantagens, na disputa que travam consigo
próprios em uma corrida louca que tem como prêmio a morte. O egoísmo que
mostram os motoristas brasileiros, responsáveis por milhares de mortes todos os
anos nas ruas e estradas do país, é fruto da ignorância, que o estado
incompetente não sabe extirpar como uma de suas prioridades. Portanto, não
ajudem a maximizar essa situação com seus discursos torpes incentivando a
malandragem e o mau exemplo, criticando a indústria das multas. Critiquem a
indústria da falta de educação, de boas escolas, de hospitais, ensino técnico,
de estradas decentes, de linhas férreas, aeroportos, enfim, o que precisamos de
fato.
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