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Como você quer ser tratado? Como pessoa? Por inteiro? Ou fracionado como negro, branco, estudante, trabalhador, consumidor, mulher, homossexual, emo, cristão, etc.? É uma questão de opção ou de desinformação, de falta de educação ou amplitude de pensamento?

A nossa lei maior, procura fazer com que sejamos vistos como cidadãos, indivíduos que vivem em sociedade, e por outro lado também, o Estado privilegia grupos. 

A tendência hoje, nos parece, é procurarmos grupos, guetos, covis, não a sociedade para nos ambientarmos e sermos ali simplesmente cidadãos, iguais.

Temos a tradição dos migrantes, que buscam entre seus patrícios o conforto da distancia de sua terra, mantendo seus usos e costumes e também as questões regionalistas, bairristas e familiares que nos impele a procurarmos mais nossos “pequenos mundos”. Acrescente-se também como razões para esse isolamento, medo, vergonha ou até fanatismo.

A preservação da cultura é importante, claro, mas em termos de convicções raciais, religiosas  ou grupais, comete-se um grande erro, a meu ver, quando justamente deveríamos buscar a integração social, não repartindo cotas, mas agregando conhecimentos dos outros grupos e nos tornarmos uma só sociedade. O pior é que quem quer nos separar, classificar, rotular, é justamente o Estado, mal dirigido, mal gerido por uma tribo também, ou melhor, quadrilha, pelo que estamos vendo nos últimos anos. Sei que parece exagero, mas uma união de mais de quatro com intenção de cometer qualquer delito, é formação de quadrilha, diz a Lei.  Não invento nada. No mínimo cometem o delito do desprezo pela coisa pública, pelo cuidado com nossas vidas que nada vale, com nossa educação, com nossa saúde e outras deficiências.

 Isso é que provoca as discriminações e o esquecimento de que somos parte de um todo maior, de uma sociedade complexa e não uma sociedade pequena, restrita a paredes, muros, limites geográficos ou linguísticos como os sotaques. Isso nos faz esquecer o pan e nos apegarmos ao microcosmo da célula social que é o grupo mínimo, que nem sempre é mais a família, muitas vezes, ela é substituída por uma tribo. Com isso, perdemos a consciência política, passamos a entender que política é apenas o que fazem pelo meu grupo, por mim, e não pela sociedade. Política não é construir estradas, hospitais e escolas para os segregacionistas, e sim asfaltar a minha rua, me dar um emprego, facilitar o meu ingresso na faculdade, ou seja, o etnocentrismo está imperando na sociedade, incentivado pela nova cultura do “politicamente correto”. Para fazer valer nossos direitos sociais, precisaremos entender que devemos primeiramente reivindicar nossos direitos globais, aquilo que beneficia a sociedade geral, como a educação de qualidade, a saúde, a infraestrutura necessária para o desenvolvimento da economia e, consequentemente, a geração de empregos.
A segurança pública, por exemplo, na verdade nunca existiu, a não ser por atendimentos de correção, nunca foi preventiva, seja por falta de efetivos, de verbas, de boa vontade dos administradores, levando-nos a mortes estúpidas, no trânsito, por exemplo, ou por latrocínio, especialmente por sujeitos que já passaram várias vezes pela prisão e se escolaram com jubilo nela. Cadê a escola e o trabalho do penalizado? Não, ao invés disso, dão lhe a chance de cometer novos crimes nas ruas.  Assistimos a isso tudo reclamando dentro de casa, com os amigos, com a tribo, mas nunca reagimos socialmente como cidadãos, em que pese termos tido ótimos exemplos de reação popular a esses problemas em diversas partes do mundo, e não falo em brigas, quebra-quebra, etc, me refiro a legítimas reações pacíficas, contra um estado de desgoverno, de má conduta pública de nossos representantes, principalmente no tocante à corrupção que assistimos passivamente, como se fosse algo “normal”. Não, não é, nós é que estamos deformando nosso caráter e aceitando os vícios morais como se fossem fatos sociais corriqueiros.

Devemos valorizar mais o conjunto, a sociedade em primeiro lugar, a nação, a Pátria, depois nosso grupo, que faz parte daquela sociedade e por último o “eu”. Pensemos nisso e vamos participar dessa construção social. Antes de sermos identificados como branco, negro, hetero, homem ou mulher, sejamos cidadãos.

Marco Antonio Piva de Lima

Acadêmico de Direito –

Vice-presidente DCE Católica SC

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