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A MAÇONARIA, DEUS E OBJETIVOS ADORMECIDOS

Em primeiro lugar, deixo claro que é um artigo na primeira pessoa, ou seja, emito opiniões pessoais, com lastro na experiência vivida na Instituição por mais de 35 anos. Em segundo patamar, não sou totalmente ignorante, tenho formação pós acadêmica, o que no Brasil não é muito, eu sei, mas, melhor do que a maioria, posto que, a academia serve, pelo menos, para nos ensinar a pesquisar, tendo sorte de lhes ser exigido isso no curso superior.  Minha formação é jurídica, mas enfiei o nariz em filosofia, história e outras ciências, como amador no sentido amplo da palavra, aquele que ama. Sem querer me justificar ou me gabar,
Nesses anos de frequência na Maçonaria, tendo sido iniciado em junho de 1980, em meio ainda a uma crise interna recente, de 1973, ocasionando um cisma importante para  a história da Instituição no país, mas de efeitos terríveis em sua reformulação, posto que passara por outro em 1927, portanto, há menos de 50 anos, o que fez, as duas vezes, desviar totalmente os rumos da Instituição a partir daquela primeira ainda.
Somada a vaidade absurda dos maçons, que é um dos objetivos a ser combatido por ela justamente, como um vírus que toma conta do pesquisador que tenta descobrir a cura da doença, e acaba morrendo por isso. Voltando, só para concluir o pensamento, em 1980, muitos dos envolvidos na cisão de 73 ainda viviam e remoíam ódios, de ambas as partes, tanto do GOB como da dissidência.
Nasci na Maçonaria sob esse clima. Razão? Nenhum dos lados, claro, em uma Fraternidade não se pode falar em razão quando há briga, ofensas, até mesmo certta violência, como ocorrera por ocasião da tentativa de intervenção no GOSP, quando um desembargador enfrentou um general de exército, em meio a um regime militar severo.
Acabou ocorrendo a separação da maioria das Lojas de São Paulo e dos principais estados  em população, do país, que culminaria em 1991 com a criação oficial da COMAB, porém, já funcionava o Colégio de Grãos Mestres Independentes desde a cisão praticamente, em 1973.
Até a primeira cisão, a maçonaria brasileira foi ativa social e politicamente, não representando uma ala ou tendência particularmente, embora, já repleta de conservadores, também continha em suas fileiras socialistas,  que era “moda” na época, comunistas mesmo, isso falando de correntes políticas, porque sempre foram aliados, mas em canos diferentes aqui no Brasil.
Até aí, ótimo, porque a maçonaria deve abrigar homens livres e de bons costumes, de todas as crenças, credos, raças e opiniões. Não é verdade? 
Mas a primeira cisão foi o grande mal da nossa Instituição no Brasil.  Sem dúvida alguma. Nãoq eu as Grandes Lojas não poderiam ser criadas, de maneira alguma, mas não da forma que foram, primeiro em cima da política rasteira que já dominava os porões do GOB desde o fim do século XIX entre monarquistas e republicanos, correntes conservadoras e liberais em meio aos republicanos, enfim, a briga que deveria ocorrer fora da rua do lavradio, foi levada para dentro dele, e de suas “filias” por todo o país, consequentemente.
Esqueceu-se dos postulados maçônicos que herdamos da maçonaria francesa, das lutas que deveriam empregar pelas liberdades, não só das fronteiras, mas de seu ovo. Passaram a disputar com voracidade os cargos da única potencia brasileira que buscava o reconhecimento externo.

Assim foi até que Behring perdeu sua reeleição ao cargo de Grão-Mestre Geral do GOB, mas como era titular de todos os Supremos Conselhos dos ritos que possuíam altos graus, e todos ficavam sob a batuta do GOB, roubou a Carta Constitutiva dada pelos americanos, novos donos do REAA, já à época o mais praticado, e rumou para aquele país, onde logrou as bênçãos deles para fundar aqui Grandes Lojas sob a bandeira do Supremo Conselho do REAA para o Brasil, que administra os graus 4 a 33 desse rito. É, até hoje, o Supremo conhecido como de “Jacarepaguá” por estar endereçado naquele bairro carioca.
O GOB não se fez de rogado e criou outro Supremo, ou deu continuidade a ele (hoje o do campo de São Cristovão) como se nada tivesse ocorrido, e mesmo sem as bençãos dos americanos, o que atrasaria o reconhecimento do GOB pelas Grandes Lojas americanas por muitos anos (1995, efetivamente).
Toda essa história introdutória nos leva a um ponto buscado aqui, ao desvio de rumos, de objetivos, a perda de personalidade que estava no DNA da maçonaria brasileira do século XIX e acabou se perdendo no século XX, principalmente no seu limiar.
Atrás de confusões, brigas daqui e dali, passamos a primeira metade do século XX e quando tudo parecia já rumar para uma calma aparente, mesmo que ainda recolhendo seus cacos, surge outra confusão, que ninguém me tira da cabeça, provocada até pela inteligência militar da época, para evitar qualquer tipo de reação interna, apesar do apoio da Instituição ao golpe ou revolução militar de 64, e aqui, cada um leia como preferir, não vou entrar no mérito. A Maçonaria brasileira nos anos 60 e 70 estava repleta de militares, não nos esqueçamos disso.
Assim, com a perda da identidade, o que fazer nos templos? E isso já vinha em grande parte desde 1927, senão, cuidar do “espírito” ou da  “alma” como ainda hoje afirmam muitos maçons. 
A maçonaria anglo-americana nunca foi de promover ações políticas ou sociais, exceto as de solidariedade ou beneficência, o que fazem muito bem, até com manutenção de asilos, escolas e hospitais. Ótimo, essa é a vocação dessa maçonaria que nunca preciou muito participar, tanto quanto seu poço, de revoluções, crises políticas, dado a estabilidade de suas nações. Quando precisou, como no caso dos EUA, par a independência, recorreu á França, a pátria dos revolucionários, com Lafayette, um maçom que lutou ombro a ombro contra os ingleses, e na guerra da secessão, sua única revolução interna, a Maçonaria esteve presente de início ao fim, de ambos os lados. Acabada a guerra e encontrada a paz, seguindo seus gurus na Instituição, como Payke e Mackey, entre outros, voltaram aos templos e praticaram, como os ingleses, seus rituais.  Sua influencia política é muitos discreta, até porque seus países não exigem nada mais do que obediência e respeito, devoção. Só resta cultuar, como bons conservadores que são, Deus, a família, o estilo deles de vida, a fim de preservar sua tranquilidade.
Ótimo para eles, mas países como os da América Latina e outros continente onde a maçonaria chegou, não é bem assim. Aqui,  tratando amis do que nos interessa, nada está consolidado, nem mesmo uma cultura, que eles lá tem definido há séculos. Aqui somos vários povos no mesmo lugar, uma mistura sem pé nem cabeça, que muitos acham lindo, mas não se trata de miscigenação de cores apenas, mas de usos e costumes, de uma moral definida, uma educação competente, enfim, uma cultura definida, sólida e progressiva. Isso nos falta, portanto, vivemos em um caos, onde os mais malandros conduzem o povo ignorante, mal educado, fanatizando-o, tornando-o idólatra, enquanto enriquecem ás custas do trabalho daqueles fanáticos e ignorantes. Assim crescem as religiões e os partidos políticos.
A Maçonaria faz parte da sociedade organizada em quase todo o mundo, e onde ela está, significa que há um raio de Luz, de conhecimento, portanto ela não pode se furtar a operar sua influencia benigna, se é que cumpre os seus postulados e nem se calar diante desse quadro horrível de corrupção desenfreada, de violência, injustiça social e usurpação de poucos sobre muitos que ocorre particularmente na América Latina e no Brasil em especial. Se isso ocorre, ela torna omissa, cúmplice dos criminosos, ou seja, nós, maçons nos tornamos.  Lembremos que a Maçonaria, quando falamos em ações, é o corpo de maçons que a forma, não existiria a Instituição sem seus partícipes.
São maçonarias diferentes, no entanto, as anglo americanas, as latinas e africanas, com a diversidade de culturas, ou falta delas, com a inquietude política e social que reina nesses países e continentes.  A maçonaria de terceiro mundo, não pode abandonar seu caráter revolucionário, no sentido de tentar mudar positivamente o rumo ou estar á frente de seu povo nesse sentido.  De iluminar mentes, de atuar no sentido daquilo que foi proposto pela Maçonaria e encantou milhões de pessoas no decorrer de três séculos. Sentimo-nos, em verdade, com a obrigação de nos prepararmos para atuar socialmente, seja em nome da Instituição ou em nosso nome, dentro de partidos políticos, dentro de setores da sociedade, para influenciar, de forma ética, dentro dos padrões morais que entendemos ser os ideais, para liderar esse povo e levar a um caminho melhor.
No entanto, ao chegarmos à Iniciação maçônica, após a festa de boas vindas, começamos a descobrir que, logo percebem os que raciocinam com a lógica da Razão, a bem da verdade, entramos para um clube de gastronomia, de distribuição de títulos e graus recheados de vaidade e lisonjas, que a anda leva, senão a um conservadorismo exacerbado, mais concentrado do que já existe na sociedade, e, o que o pior, há uma grande confusão feita pelos maçons, em especial os brasileiros, que confundem a simples crença em um Ente Supremo, o Grande Arquiteto do Universo , imposto pelos ingleses e americanos como o Deus  bíblico, de Abrahão, e não mais, como foi proposto no passado, como termo genérico de qualquer crença em uma divindade que o faria deixar de ser um ateu estúpido, como insinua Anderson em sua constituição de 1723, até porque àquela época era impossível se permitir a um homem comum não crer em Deus no Ocidente, sob pena de ser herege e queimado em fogueira pela Inquisição ou, ser encarcerado,  no mínimo.  Dentro dessa premissa, a Maçonaria, ou seus organizadores, criou esse termo apenas para poder congregar cristãos de diferentes denominações ou igrejas e judeus, muçulmanos, hindus, budistas e outros em uma mesma sociedade, onde não teriam que se preocupar com a religião do próximo, mas com suas virtudes, seu conhecimento, seus esforços para construir um mundo fraterno. \Com o passar dos anos, os norte-americanos, mais fanáticos do que os ingleses, começaram a se destacar no crescimento econômico e militar, passando os ingleses em importância comercial, social, militar, enfim, tomando o lugar dos antigos colonizadores, tornando-se a maior potencia mundial em todos os segmentos, inclusive também na Maçonaria, onde atingiu mais de 3 milhões de praticantes nos anos 70 e 80 do século passado. Com isso, o mundo se vota inteiramente a seus costumes, e a maçonaria brasileira não foi diferente.  Desde 1927, coma criação das Grandes Lojas, começou a demonstração de servilismo, e o chamado complexo de cachorro vira-lata, ou seja, se submeter ou copiar tudo o que eles fazem.
Viu-se isso na musica, nas artes (cinema, teatro, TV), importando seus enlatados, alimentação, refrigerantes e muitos costumes que não eram nossos, desde a primeira metade do século.
Na Maçonaria foi cometido uma das maiores barbaridades com a criação das Grandes Lojas que foi a ruína do REAA em seu simbolismo, posto que era um rito nascido e desenvolvido na frança, vindo para o Brasil logo após a criação do Grande Oriente, depois dos Ritos Moderno e Adonhiramita que vieram no início do século XIX, quando o descaracterizou totalmente, alterando o ritual para se parecer com o rito York americano, ao invés de simplesmente adotar tal rito, como fizeram alguns outros países, tipo a Grande Loja da Argentina, que pratica os três ritos, York, Emulação e Escocês Antigo Aceito, como se deve.
Aqui no Brasil foi adulterado totalmente o rito Escocês, passando a usar o avental do rito York e do Emulação (inglês), mudando o segundo vigilante para o Meio Dia, como é somente nos ritos de Emulação e York, só para começar, entre outras tantas alterações inusitadas, que só se pratica no Brasil e pior ainda, tem gente que pretende justificar e dar razão aos destruidores do REAA no Brasil.
Mas o brasileiro é invencível, nunca desiste, e conseguiu piorar a situação, porque o GOB foi atrás e copiou a besteira feita pelas Grandes lojas com a mesma intenção, agradar os americanos e ingleses ao mesmo tempo.
Primeiro, abriu mão da soberania e permitiu que a Grande Loja da Inglaterra abrisse Lojas sob sua jurisdição aqui, em troca de não reconhecer as Grandes Lojas brasileiras. Depois, fez de tudo para o Brasil realmente se afastar da Maçonaria francesa, particularmente do GOdF, potência liberal que tinha introduzido a Maçonaria legal aqui no Brasil com Cartas patentes, inclusive do Grande Oriente do Brasil.
Posteriormente o GOB mexeu sem seus aventais do REAA, primeiro fazendo-os de vermelho para azul e vermelho nas bordas, e depois, na década de 80, totalmente azuis como da Grande Loja. Eles são vermelhos em todas as partes do mundo, exceto no Brasil.  Também houve diversas alterações nos rituais, aliás, eles são alterados até hoje, sem contar que cada Obediência brasileira tem seu próprio REAA, com enxertos, inovações e más interpretações.
Lembre-se ainda que os Estados Unidos passaram a comandar esse rito, nos graus 4 a 33 a partir de 1801, em dois Supremos  Conselhos, norte e sul, dividindo o restante do mundo sob seu domínio. Isso já em 1801, então, imagine-se depois. É preciso relembrar, nesse país, não se pratica o Rito Escocês Antigo Aceito no simbolismo, e eles nem gostam de ouvir falar nele, somente o rito York, isso nas Grandes Lojas chamadas regulares, tanto a Maçonaria dos brancos, como a dos negros.  Antes de chegar na America do Norte, era denominado Rito de Perfeição ou rito de Heredon, na França onde fora criado, e tinha 25 graus, o que já era muito até.
Com essa história toda, mostramos o domínio americano que se sobrepôs à própria Inglaterra, que se denomina Grande Loja mãe do mundo e por quem todos se matavam para ter o reconhecimento, mas, na prática, quem comanda são os americanos, em silêncio.  O  REAA acaba sendo o rito mais praticados no mundo, ao contrário do que se imagina, porque se eles praticam o rito York no simbolismo, a maioria pratica o Escocês nos graus filosóficos, ai soma-se o restante do mundo que o pratica no simbolismo, já viram no que dá.
Estando certo que os americanos comandam a maçonaria mundial, e a manipulam, fazem com que as potencias e Obediências latino-americanas e um pouco menos as  africanas, corram atrás deles, impondo a todos os seus costumes, inclusive a religiosidade exacerbada dos evangélicos, e nada contra eles, mas tudo contra trazer isso para dentro da Maçonaria, que é para ser um espaço para Livres Pensadores, ou seja, quem tem o direito de escolher sua crença, seu partido político, seu time, etc., desde que seja um cidadão exemplar. A exemplo disso, foi o que ocorreu em 1995 no Brasil, exigindo do GOB que obrigasse que se usasse a Bíblia em todas as Lojas, mesmo que não fosse como Livro da Lei, mas que estivesse presente nos trabalhos. O GOB foi denunciado por um Grão-Mestre português que afirmara que o nossa potência mantinha Lojas de ateus, ao estilo do GODF.
O GOB, na ânsia dos reconhecimentos deles, obedeceu cegamente, colocando como regra geral, ainda que ferisse a originalidade do rito Moderno, que, através de conversações entre Supremo Conselho e Grão-mestrado, acabou concordando com as alterações. Na verdade, o Supremo foi consultado, mas de pouco adiantaria se negar, o GOB não deixaria de ter o reconhecimento por causa do ínfimo rito Moderno, na época, com menos de 100 Lojas em todo o país. Fui contrário, mas voz única e não fazia parte do Supremo naquela ocasião.  O GOB trabalhou durante anos e anos par acabar ou alterar o rito Moderno, incluindo a pressão para se criar os graus 8 e 9, que foi um trabalho do REAA comandado por ex grãos mestres de São Paulo, e acabou em êxito. Primeiro criou uma casta de dirigentes do rito, onde só se chega por indicação, u seja, só os amigos do rei chegam ao Supremo, ainda que tenha o grau 9. Em segundo lugar, pode-se ser reconhecido e dar reconhecimento com os ritos co irmãos que têm os 33 graus do Escocismo, ainda que a nossa origem não tenham nem mesmo graus capitulares até final do século XIX, muito menos na sua origem, na Grande Loja de Londres, e pior ainda, os graus chamados administrativos, Kadosh e  Consistório. Mas agora está feito. Jamais a vaidade deixaria voltar atrás e retomarmos nossa origem.
Na França, justamente por tomarem ciência de que esses graus não nos pertenciam, acabou-se com a Oficina Chefe do Rito Francês, que ia até a Quarta Ordem, grau 7, visto que a quinta Ordem, embora existente, nunca fora usada para criar nenhum grau, pelo menos na França, e liberou seus adeptos no simbolismo a frequentarem o Colégio de Ritos, ou mais apropriado, os graus do REAA que engloba as quatro Ordens do rito Moderno, tanto que são equivalentes a determinados graus aqui no Brasil. Assim, o Supremo conselho do Rito Moderno ficou como a mais antiga obediência do Rito Moderno em funcionamento, o que, a torna autorizada a dar patente de regularidade a outras potências, desde que devidamente reconhecidas.
Bom, tudo isso, leva a uma constatação, com a bagunça que virou nossa Maçonaria não poderia dar outra, além das confusões, brigas e a certeza de nada produzirmos há mais de cem anos de utilidade para a sociedade, continuarmos numa disputa insana por quem tem regularidade, reconhecimento ou quem tem mais Lojas, virou o samba do afrodescendente doido. Dentro das Lojas continua-se, nos chamados ritos teístas, com raras exceções, a fingir que se busca ali a espiritualidade, o que deve ser encontrado, na verdade, nas igrejas ou templos religiosos, centros espíritas, até emsmo em escolas de filosofia religiosas, mas nunca na Maçonaria. Ela não é uma religião paralela como se imagina. É uma sociedade que busca a evolução moral, ética e intelectual do ser humano, através do simbolismo bem compreendido e interpretado, à luz da filosofia. Uma Escola que nos ensina a evoluirmos moralmente e por em prática o que ali aprendemos, em conjunto ou isoladamente, mas sempre a favor do progresso humano e da sociedade.  Não é possível que homens com um mínimo de inteligência ainda substituam sua religião por uma voltinha na Bíblia instalada no meio do Oriente ou do ocidente de uma Loja em reunião. Porque há até um desrespeito à Bíblia por estar ali e não ser nem mesmo conhecida da maioria absoluta dos maçons que a exigem ali, que só consideram uma Loja e um rito regular se a ver debaixo do Esquadro e do Compasso. 
Um livro estranho à maioria dos maçons. Um livro que pode representar muito a determinadas religiões e deve ser respeitado por isso, mas não adorado em Lojas maçônicas  e mesmo em associações paramaçônicas que nem mesmo caráter iniciático deveriam ter, mas graças aos americanos também, as criaram como uma maçonaria paralela para meninos e meninas.  Nada contra os aspectos educacionais que norteiam essas instituições, muitas vezes até mal orientadas, mas com ótimas intenções, mas Maçonaria foi criada para pessoas adultas e com capacidade de instruir-se e depois instruírem, autônomas, livres e de bons costumes. Menores nãos e enquadram nesse quadro, não são livres, são dependentes, não tem autodeterminação, livre escolha, etc.  Fizeram com outros nomes mas obedecendo o mesmo cerimonial e utilizando símbolos semelhantes.  O principal, desses rituais, é uma adoração ao Livro da Lei, a Bíblia, que a maioria esquece ao deixar de frequentar essas Ordens, porque é feito de modo mecânico (ritualístico) e não como uma forma de simbolismo, para estudos e reflexões, discussões.
Muito bem, deixando de lado essa questão, o que leva a escrever tudo isso é o fato de que o objetivo maior da Maçonaria, de trabalhar pela sociedade, pelo seu desenvolvimento, progresso do ser humano em todos os sentidos, pela participação social tendo como fulcro o amor fraternal e a solidariedade, e como método, o exemplo positivo, por um comportamento reto, ético, dentro da moral aceita como a ideal pela mesma sociedade em que vivemos, e acabamos em uma escola fajuta de catequese, meio católica, meio protestante, meio judaico, meio muçarela, meio calabresa, recheada de jantares e festins, distribuição de medalhas e cargos, graus, e loas, a pessoa incompetentes, desinformadas, com má vontade ao trabalho, somente como premio pela sua assiduidade ou pelo dinheiro que possuem, que nem é tanto assim, porque a Maçonaria também se empobreceu no decorrer dos anos no país, tanto os indivíduos como as próprias Lojas e Obediências.
O que fazemos de solidariedade? Cadê escolas, creches, asilos, hospitais? Pouquíssimas Lojas mantem instituições desse tipo, resultado de maçons do passado, diga-se, pouquíssimas hoje estão criando algo nesse sentido.  A classe média achatou-se nas últimas décadas, é bem verdade, mas o que mais ocorreu foi a fuga da classe média alta e ricos da Maçonaria, que é vista apenas como um passatempo ou como um grupo de interesseiros sem objetivos, ou de velhos conservadores e moralistas que clamam pela retorno da ditadura para resolver os problemas sociais.
Bom, e dá tempo ou teremos condições de mudar esse quadro pelo qual somos vistos, não só pelos mais ricos, mas pela mídia e pela maior parte da sociedade? Creio que sim, mas tem que ser algo progressivo, calculado, planejado.
Maçons de boa vontade deverão chegar ao comando de Lojas e Obediências e fazer isso acontecer. Rediscutir e refundar a Maçonaria brasileira. Traçar objetivos gerais e comuns.  Senão estaremos empurrando de vez a Instituição pelo barranco. Que esta em franca decadência.  Vejo irmãos comemorarem o surgimento de Lojas, mas ninguém pensa que a maioria delas surgem de dissidências, e não por planejamento.  Será mais um grupo de inconformados que querem progredir, como raras Lojas, ou mais um grupo de frustrados que vêm buscar a paz espiritual na Maçonaria e não numa academia de Yoga ou templo budista, duas práticas que recomendo para esse fim?
A Razão faz muita falta nos templos maçônicos e só o rito Moderno, quiçá o Schroder, trabalham com essa filosofia da Razão sobre os sentimentos ou a emoção (paixões), mas na prática, muitas das Lojas desses ritos também deixam a desejar, entregando-se a futilidades. Não há debates, não há o ensino metodológico do simbolismo, não há troca de informação e conhecimento. Nas demais Lojas, busca-se a paz não encontrada sem seus lares, inclusive, no dia a dia de trabalho, nas telas de TV. Mas nada que um bom prato e uma boa cerveja não resolvam logo após uma breve e prática do ritual, um minuto de concentração olhando para a Bíblia ou na entrada da sessão, com uma prece do Ir. mestre de Cerimônias, pronto, está tudo resolvido.
Outra questão é que o sujeito entra nessas Lojas e se acomoda, entende pelo resto da vida que isso é o certo, que seu rito é certo, que seu ritual é o certo e tudo o que for diferente é errado e contra os princípios maçônicos, que ele não conhece um sequer, por sinal. Mas é inquestionável. Aprendeu assim, tem que ser assim. Esse é outro engano dos maçons e de qualquer ser humano. Não existem verdade eternas, elas morrem em segundos ás vezes, em minutos.
Nada do que lhe foi dito deve ser escrito na pedra, escreve-se no gelo e se reescreve antes que ele derreta. Há que se pesquisar e rebuscar  constantemente a verdade, que nunca será absoluta, mas temporária apenas. Pode durar uma eternidade para nos, mas não para o mundo que virá.  
Se você aprendeu que Maçonaria se faz desta forma, experimente da outra. Conheça, não fale sem saber. Nãos e fala mal de uma religião sem saber, nem mesmo de uma comida, de um livro, oud e uma pessoa. Por que com a maçonaria seria diferente? Velhos conservadores não são confiáveis. Quem afirma algo dizendo que aquilo é a verdade incontestável, está mentindo. Dogmas não são confiáveis. A verdade só exsite para você, não para o coletivo, porque só você se convence dela. Se a verdade for coletiva, é um dogma e foi pensado por outra pessoa, e você está apenas ocupando espaço em sua crença, nada mais. Não construiu um pensamento, não chegou a uma conclusão, alguém o fez por você. Se você precisa de alguém para pensar, você é incapaz, não serve para a Maçonaria, inclusive.
Deus tem que estar presente na mente de cada indivíduo, chame-o como quiser e até pode não crer em sua existência, é algo intimo. Mas não em uma Loja maçônica como dogma, como uma Verdade Revelada, esse não é o papel da Instituição e sim o de desenvolver o homem civil e socialmente. Moral e intelectualmente e aí, não importa qual a sua crença, desde que seja realmente um cidadão cumpridor de suas obrigações.
Já esta na hora de rompermos com os preconceitos, o que faz parte dos princípios tão falados e esquecidos, assim como combater a ignorância, o fanatismo (do qual estamos repletos em nossas colunas), só para começar. Na hora de pensarmos livremente e deixar os outros pensarem como quiserem, de tolerarmos o pensamento diferenciado, até mesmo o comportamento social, sexual ou político das pessoas, desde que sejamos respeitados na mesma proporção. De recebermos mulheres na Instituição, porque, para sua finalidade, a cada dia a mulher está mais presente na sociedade. Parte do mundo já descobriu isso, exceto os conservadores, aqueles que não querem evoluir, que querem sentar em cima de seus velhos conceitos  preconceitos e desistirem de caminharem adiante. Têm medo de se sentirem menor diante delas ou mesmo de cidadãos que se declaram homossexuais, e não que defenda a simples entrada deles por militância. De maneira alguma, mas como condição de igualdade, vendo que existe em meio a tantos assumidos, inteligências, postura ética e moral, porque imoral é roubar, é fazer escândalos, como alguns irmãos nossos fazem e ninguém fala em descartá-los da Ordem, sem contar os que não se assumem, mas é de conhecimento que participam de orgias ou mesmo são infiéis a seus matrimônios, o que, aos olhos de maus maçons, os tornam “heróis” e não traidores dos princípios morais.
Hora de acabar com essa hipocrisia e sermos uma representação da sociedade, mas o melhor dela intelectual e moralmente, e não nos nivelarmos por baixo, com caloteiros, golpistas, gays enrustidos fingindo serem bem casados, ou ratos da corrupção que se escondem sob o manto da honestidade ostentando um esquadro e compasso no chaveiro ou na lapela do paletó.  Podem usar, mas saibam que eles nos traz mais responsabilidades e não mais vaidades. 
Hora de uma revolução interna, escolhendo melhor nossos Veneráveis e Grão-Mestres, deputados das Lojas, que, geralmente são presenteados por serem velhos com tais cargos, ou para passearem em Brasília ou na capital do estado. Uma nova sistemática é preciso,  onde o Grão-Mestre estadual, que está mais próximo das Lojas tenha maior autonomia, e que a Loja tenha muito mais ainda, até porque  a boa Maçonaria é feita em Lojas Livres por maçons livres. Sem correntes que o Grande Oriente e Grandes Lojas jogam sobre nós, arrecadando e dando ultimatos, até mesmo dizendo como devemos nos vestir, como se fossemos incapazes de decidir o que vestirmos sob o avental que é a única veste maçônica desde sua criação.


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